Pão & Poesia na Terra do Sempre


SONADA DO AMOR

só o amor nos redime do caos

Francisco Carvalho

 

só o amor

inversão do caos

nos redime do espelho do caos

só o amor nos salva

do catecismo de Apolo

só o amor, ventura dos mares,

sabe o caminho do cais

só o amor

sabe germinar

o ventre da aurora

Copyright © 2005 by Teodor Zgredziak  

 

O POETA

 

o poeta se ilude

com a ilusão

que o ilude

o poeta é uma ilusão

de si mesmo

 

Carlos Gildemar Pontes



Escrito por Gildemar Pontes às 23h20
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A FACE DOS ANJOS

 

certamente meu avô

não era o melhor homem do mundo

mas me ensinou a ver nas nuvens

a face engraçada dos anjos

 

Carlos Gildemar Pontes

Think stock Fotos

 

(Não deixe de dar uma olhadinha no regulamento do II Concurso Nacional de Conto e Poesia Acauã, um pouco mais abaixo dos textos)



Escrito por Gildemar Pontes às 20h53
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UM POEMA, UM TEMPO DE POEMA

 

um poema pode navegar

no deserto

pode se esconder no teto

ser devorado pela fome

um poema pode ficar preso

na ilha

barco sem mastro ou quilha

gato dormindo ou espreitando rolinha

rolando novelo ou roçando na perna

um poema pode ser triste

ou ficar com o dedo em riste

pode ser uma sombra se

escondendo da luz

a dor do marceneiro que fez

do Nazareno a cruz

um poema pode ser torto e

consertar o mundo

ola no estádio

furada de zagueiro e gol

de perna de pau

o que importa é o delírio da torcida

um poema pode ser breve

ou longo

que importa o tempo

se a poesia é do homem?

 

Carlos Gildemar Pontes

Escrito por Gildemar Pontes às 13h00
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Trago aos amigos um conto do livro inédito Da arte de fazer aeroplanos

POR MUITO TEMPO DE SER FELIZ

 

Certo dia, buscava a perfeição em toda lógica que pudesse revelar o que havia de absoluto. De repente, antevi no seio daquela mulher os dois peitos mais lindos e devorados que pude ter. E eu os tive deliciosos e mornos por muito tempo de ser feliz. Mas a perfeição é fugidia e a lógica ocasionalmente ameaça partir, no que descobri as pernas daquela mulher. Agora não sabia mais andar sem elas, nem subir degraus, nem deitar que não fosse com elas. E eu as desejava como a um sorvete, antes de descobrir seu sexo. Quantas noites me repeti sobre o seu sexo. Eu tinha muitos tentáculos, e muitas línguas, e um pênis que ejaculava neurônios. Ela por si me sugava o juízo, a razão que eu deixava ereta e trêmula adormecer em sua vagina...Eu sonhava sempre espermatozóides. Vezes enlouquecidos, vezes calmosos, íamos decifrando um pouquinho da solidão. Tudo era descoberta antes e depois. Durante os meus dias felizes não havia horizonte infinito, não havia sede nem deserto, as vezes ela pousava em mim como uma sombra na tarde. Nós aprendemos a olhar para o outro, nós nos ensinamos essa tal felicidade. Dia desses, veio um furacão e nos atirou bem longe um do outro. Depois que baixou a poeira, não encontrei mais as suas pegadas. Vi um fio do seu cabelo enrolado numa pétala sobre uma latinha de cerveja. Passei a vista em volta e não vi mais os seus olhos fixos no mar. Sequer o eco do seu gemido nas noites de labareda e gozo. Nossos lábios, por certo ressecados e sem sabor, lembravam nossos beijos. Nosso cheiro havia se perdido. Agora, sem paladar, comíamos apenas saudades.

 

Carlos Gildemar Pontes



Escrito por Gildemar Pontes às 19h14
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POEMAS à MEMÓRIA DE MINHA MÃE

CICATRIZ DE MÃE

 

trago desde menino

a caneca que dei de presente

no dia das mães

 

de porcelana, com uma rosa desenhada

em relevo, ficou de lembrança

do cheiro das manhãs

e dos sonhos que minha mãe

ensinou a partilhar

Coffee Copyright © 2005 by vedat kubilay

 

UM TEMPO DE LEMBRAR

 

minha mãe costurava

roupas de bonecas

mas não aceitava encomendas

que não fosse as da minha irmã

 

eram lindos vestidos de sonhos coloridos

cosidos com linha de arrancar dente

 

minha mãe costurava

com paciência e ternura

um tempo de lembrar

 

REGULAMENTO

II CONCURSO NACIONAL DE CONTO E POESIA ACAUÃ

DA INSCRIÇÃO

As inscrições estarão abertas até 10 de junho de 2005, valendo a data da postagem; Os originais deverão ser inéditos. Cada escritor poderá inscrever até 2 textos em cada gênero, ao preço de R$ 10,00 por inscrição, feitas no Banco do Brasil: Agência 1619-5, Conta (poupança) 10.015087-X. Importante: O comprovante de depósito deve ser remetido junto com a inscrição.

Para conto exige-se até 5 laudas em papel ofício A4, em espaço 1,5, fonte Times, tam. 12, em três cópias;  Para poesia exige-se até 2 laudas no mesmo formato e quantidade de cópias. Em envelope grande, os contos ou poemas, que devem conter o título e o pseudônimo antes do texto; Em envelope pequeno, por fora, o concorrente deve escrever apenas o título e o pseudônimo e em folha à parte os dados nesta ordem: Pseudônimo/ Nome/ Endereço completo/ Telefone fixo e/ou celular/ Pequena biografia (5 linhas).

Em envelope grande devem conter os contos ou poemas apenas com título e pseudônimo; Em envelope pequeno, o concorrente deve escrever apenas o título e em folha à parte os dados nesta ordem: Pseudônimo/ Nome/ Endereço completo/ Telefone fixo e/ou celular/ Pequena biografia (5 linhas). Os trabalhos devem ser remetidos para Edições Acauã/ Revista Acauã: Rua Rejane Freire Correia, 995/ 104 – João Pessoa-PB – CEP 58052-197

DA PREMIAÇÃO

Para Poesia - 1º lugar – 500,00 - 2º lugar – 250,00; Do 3º lugar ao 10º lugares – Certificados e dois dos livros para cada um classificado, publicados pelas Edições Acauã e pela Idéia. Para Conto - 1º lugar: 500,00; 2º lugar: 250,00; Do 3º lugar ao 10º lugares – Publicação na Revista Acauã e livros publicados pelas Edições Acauã e pela Editora Idéia. O julgamento será feito por uma Comissão com 03 membros de reconhecida competência nas áreas. O resultado será divulgado no dia 01 de julho de 2005.

Informações: – Fones (83) 3235.4118 // 9967.2871

A Comissão



Escrito por Gildemar Pontes às 00h30
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