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SONADA DO AMOR
só o amor nos redime do caos
Francisco Carvalho
só o amor
inversão do caos
nos redime do espelho do caos
só o amor nos salva
do catecismo de Apolo
só o amor, ventura dos mares,
sabe o caminho do cais
só o amor
sabe germinar
o ventre da aurora
O POETA
o poeta se ilude
com a ilusão
que o ilude
o poeta é uma ilusão
de si mesmo
Carlos Gildemar Pontes
Escrito por Gildemar Pontes às 23h20
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A FACE DOS ANJOS
certamente meu avô
não era o melhor homem do mundo
mas me ensinou a ver nas nuvens
a face engraçada dos anjos
Carlos Gildemar Pontes

(Não deixe de dar uma olhadinha no regulamento do II Concurso Nacional de Conto e Poesia Acauã, um pouco mais abaixo dos textos)
Escrito por Gildemar Pontes às 20h53
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UM POEMA, UM TEMPO DE POEMA
um poema pode navegar
no deserto
pode se esconder no teto
ser devorado pela fome
um poema pode ficar preso
na ilha
barco sem mastro ou quilha
gato dormindo ou espreitando rolinha
rolando novelo ou roçando na perna
um poema pode ser triste
ou ficar com o dedo em riste
pode ser uma sombra se
escondendo da luz
a dor do marceneiro que fez
do Nazareno a cruz
um poema pode ser torto e
consertar o mundo
ola no estádio
furada de zagueiro e gol
de perna de pau
o que importa é o delírio da torcida
um poema pode ser breve
ou longo
que importa o tempo
se a poesia é do homem?
Carlos Gildemar Pontes
Escrito por Gildemar Pontes às 13h00
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Trago aos amigos um conto do livro inédito Da arte de fazer aeroplanos
POR MUITO TEMPO DE SER FELIZ
Certo dia, buscava a perfeição em toda lógica que pudesse revelar o que havia de absoluto. De repente, antevi no seio daquela mulher os dois peitos mais lindos e devorados que pude ter. E eu os tive deliciosos e mornos por muito tempo de ser feliz. Mas a perfeição é fugidia e a lógica ocasionalmente ameaça partir, no que descobri as pernas daquela mulher. Agora não sabia mais andar sem elas, nem subir degraus, nem deitar que não fosse com elas. E eu as desejava como a um sorvete, antes de descobrir seu sexo. Quantas noites me repeti sobre o seu sexo. Eu tinha muitos tentáculos, e muitas línguas, e um pênis que ejaculava neurônios. Ela por si me sugava o juízo, a razão que eu deixava ereta e trêmula adormecer em sua vagina...Eu sonhava sempre espermatozóides. Vezes enlouquecidos, vezes calmosos, íamos decifrando um pouquinho da solidão. Tudo era descoberta antes e depois. Durante os meus dias felizes não havia horizonte infinito, não havia sede nem deserto, as vezes ela pousava em mim como uma sombra na tarde. Nós aprendemos a olhar para o outro, nós nos ensinamos essa tal felicidade. Dia desses, veio um furacão e nos atirou bem longe um do outro. Depois que baixou a poeira, não encontrei mais as suas pegadas. Vi um fio do seu cabelo enrolado numa pétala sobre uma latinha de cerveja. Passei a vista em volta e não vi mais os seus olhos fixos no mar. Sequer o eco do seu gemido nas noites de labareda e gozo. Nossos lábios, por certo ressecados e sem sabor, lembravam nossos beijos. Nosso cheiro havia se perdido. Agora, sem paladar, comíamos apenas saudades.
Carlos Gildemar Pontes
Escrito por Gildemar Pontes às 19h14
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POEMAS à MEMÓRIA DE MINHA MÃE
CICATRIZ DE MÃE
trago desde menino
a caneca que dei de presente
no dia das mães
de porcelana, com uma rosa desenhada
em relevo, ficou de lembrança
do cheiro das manhãs
e dos sonhos que minha mãe
ensinou a partilhar

UM TEMPO DE LEMBRAR
minha mãe costurava
roupas de bonecas
mas não aceitava encomendas
que não fosse as da minha irmã
eram lindos vestidos de sonhos coloridos
cosidos com linha de arrancar dente
minha mãe costurava
com paciência e ternura
um tempo de lembrar
REGULAMENTO
II CONCURSO NACIONAL DE CONTO E POESIA ACAUÃ
DA INSCRIÇÃO
As inscrições estarão abertas até 10 de junho de 2005, valendo a data da postagem; Os originais deverão ser inéditos. Cada escritor poderá inscrever até 2 textos em cada gênero, ao preço de R$ 10,00 por inscrição, feitas no Banco do Brasil: Agência 1619-5, Conta (poupança) 10.015087-X. Importante: O comprovante de depósito deve ser remetido junto com a inscrição.
Para conto exige-se até 5 laudas em papel ofício A4, em espaço 1,5, fonte Times, tam. 12, em três cópias; Para poesia exige-se até 2 laudas no mesmo formato e quantidade de cópias. Em envelope grande, os contos ou poemas, que devem conter o título e o pseudônimo antes do texto; Em envelope pequeno, por fora, o concorrente deve escrever apenas o título e o pseudônimo e em folha à parte os dados nesta ordem: Pseudônimo/ Nome/ Endereço completo/ Telefone fixo e/ou celular/ Pequena biografia (5 linhas).
Em envelope grande devem conter os contos ou poemas apenas com título e pseudônimo; Em envelope pequeno, o concorrente deve escrever apenas o título e em folha à parte os dados nesta ordem: Pseudônimo/ Nome/ Endereço completo/ Telefone fixo e/ou celular/ Pequena biografia (5 linhas). Os trabalhos devem ser remetidos para Edições Acauã/ Revista Acauã: Rua Rejane Freire Correia, 995/ 104 – João Pessoa-PB – CEP 58052-197
DA PREMIAÇÃO
Para Poesia - 1º lugar – 500,00 - 2º lugar – 250,00; Do 3º lugar ao 10º lugares – Certificados e dois dos livros para cada um classificado, publicados pelas Edições Acauã e pela Idéia. Para Conto - 1º lugar: 500,00; 2º lugar: 250,00; Do 3º lugar ao 10º lugares – Publicação na Revista Acauã e livros publicados pelas Edições Acauã e pela Editora Idéia. O julgamento será feito por uma Comissão com 03 membros de reconhecida competência nas áreas. O resultado será divulgado no dia 01 de julho de 2005.
Informações: – Fones (83) 3235.4118 // 9967.2871
A Comissão
Escrito por Gildemar Pontes às 00h30
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