quinta-feira
meus pés estão calejados de dias
as pernas envelhecidas de noites
o estômago carcomido de tardes vazias
minhas rugas abrigando o tempo
sexta-feira
hoje vai ter espetáculo?
não sei não, senhor
não sei, não
não, sei
não
sábado
o palco agora é o palco
a tinta agora é a tinta
a máscara agora é a cara
o palhaço agora sou eu
domingo
hoje tem espetáculo?
tem, sim senhor
...
e o palhaço que é?
...
segundaterçaquartaquintasextasábadodomingo...
Carlos Gildemar Pontes
Continuam abertas as inscrições para O II Concurso Acauã de Conto e Poesia
Escrito por Gildemar Pontes às 17h40
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Hoje, lendo o Diário do Nordeste, me deparei com um belo artigo do Roberto DaMatta - No meio dos livros.
Gostaria de republicar o último parágrafo para que possamos refletir sobre a nossa experiência de leitores.
“Na Bienal, meu coração se abriu para essa memória dos livros. Foi quando me dei conta dos livros como amigos, confessores, colegas, adversários, mestres e provas para o que de melhor tem a humanidade: a sua capacidade de resistir, com histórias, ao nada e a desesperança. Coisas com início, meio e fim, único meio de contrabalançar a terrível indiferença de mundo sem fundo ou fim. Deus existe, Ele está nos livros.” (Roberto DaMatta, Diário do Nordeste, 25/05/2005)

NicolasPoussin l'été ou ruth et booz
NOVES FORA A VIDA
Nasci aos três de junho, na rua 1º de maio. Aprendi aos três anos o nome dos lugares: Alacaju, Vitólia, Culitiba. Meu pai se orgulhava, minha mãe - minha vida. Aos dez tive hepatite. Aos treze o mundo se abriu. Milena roubou-me um beijo, Sandra, o sexo me abriu. Entrei para o Colégio Militar, cerquei-me de patridiotas e disciplina. Aos quinze tinha barba, sabia francês e odiava a polícia. Fátima pousou em mim o F comme femme, me apaixonei perdidamente. Aos dezoito, Francisca era a Mona Lisa, cigana linda, pelos pátios da Faculdade e do meu coração sem medida. Rosangela nos 27 me levou ao altar: amamos, de um amor mais lindo; separamos, de uma dor partindo. Fui para outra cidade, sem hino, mas canto-lhe parabéns no 22 de agosto. Andréa fez jorrar duas fontes: os olhos castanhos de Catarina anunciam o crepúsculo, os olhos verdes de Bárbara, as manhãs de frente para o mar. Érica veio no reboliço e me prendeu entre medos. Ainda está atrás do meu coração. Na soma de tudo, muita coisa vezes nada. Nada às vezes que é, contudo, tudo é soma. 2 + 2 são feijão com a arroz. Noves fora a vida.
Carlos Gildemar Pontes
Escrito por Gildemar Pontes às 07h51
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