Pão & Poesia na Terra do Sempre


Trago três poetas para o fim de semana. O cacique Seathl, o poeta José Costa Matos e a lusitana Carolina de Loar, a quem agradeço pelo poema.

 

Mas o que sobra da vida se o homem

não mais pode ouvir o delicioso canto

do rouxinol ou as discussões noturnas

das rãs em volta do lago?

(Cacique Seathl, trad. Pedro Autran Ribeiro)

 

Não tenham pena da angústia dos poetas

eles comem as palavras sedativas

que caem do banquete dos mistérios

(José Costa Matos)

 

 

POEMA EM BRANCO E AZUL

(a Gildemar Pontes)

 

Sou parte da metafísica

perna ou braço, talvez,

minha alma é dialética

 

sou parte do Olímpo

um pedaço de deus

preso na fonte

ou amarrado ao penhasco

sou parte do abismo

olhar que alteia

e mergulha em solidão

 

sou pétala desprendida do caos

levada pelo vento anarquista de Paris

sou ave desgarrada

que aprendeu a traçar

novas rotas

a pousar novos ninhos

 

Carolina de Loar

 



Escrito por Gildemar Pontes às 16h42
[   ] [ envie esta mensagem ]




Femke de Wit

Hoje é o último dia para se inscrever no Concurso Nacional de Conto e Poesia Acauã. Lá embaixo, no Regulamento, há um erro no número da conta para depósito. O certo é Banco do Brasil, Agência 1619-5, conta 15.087-8, variação 01. O resultado sairá no dia 28 de julho.



Escrito por Gildemar Pontes às 23h48
[   ] [ envie esta mensagem ]




As inscrições para o II Concurso Nacional de conto e Poesia Acauã se encerram na próxima sexta-feira, dia 10. Lembre-se que os dez primeiros colocados terão direito, além da premiação estipulada, publicação assegurada nos próximos números da Revista Acauã. A próxima Revista trará um Dossiê Literatura Marginal e entrevista com vários escritores que circulam no universo da net.

Carlos Gildemar Pontes

editor



Escrito por Gildemar Pontes às 10h30
[   ] [ envie esta mensagem ]




Amigo é para sempre

 

Quando a lua está cheia meu coração palpita pleno de amor. Quando a lua diminui e vai banhar o oriente, meu coração esperançoso aguarda o momento de palpitar mais forte. Assim é como acontece com a presença dos amigos. Vivo, por circunstâncias de trabalho e de estudos, longe da maioria dos meus amigos. Às vezes tenho que ir ao oriente atrás da lua para alimentar meu coração. Tive agora que mudar de idade, a casca ainda está em boas condições, a cabeça está boa, percorre o universo dos sentidos para descobrir formas de atenuar a distância entre viver e viver bem, finalidade de todos. E viver bem é pintar no céu sempre uma lua cheia, é não ter preguiça de ir ao oriente e a outros lugares que a cabeça indomável  e o coração destemido querem conhecer. Amigos, difícil fazê-los, difícil mantê-los, difícil vê-los à porta na hora em que as dores mordem nossa solidão. Mas são eles que chegam inesperados e nos fazem ser menos bárbaros. Quero agradecer a todos os velhos e novos amigos que me desejaram boas energias neste espaço e na ausência deste, por telefone e por lua cheia. Adalberto, o vinho pintará nossa alegria de vermelho-ébrio, e nós cavalgaremos em batalhas para revirar o avesso pelo avesso até desconcertar o caos; Aderson, viajei contigo para o ocidente, Alemanha, França, Espanha, Portugal e me senti o mesmo menino que ouvia da minha tia histórias de lugares maravilhosos, e eu estava ali contigo, em pé ou sentado ao lado das tuas aventuras que queria fossem minhas, não deixas de viajar nem de me contar sobre os moinhos de vento; Maria, menina-poeta, é essa a sensação de passar de ano quando se é poeta, que bom que tu, do oriente, me guardes das noites escuras e compartilhe sonhos de menino que a poesia faz acontecer; Ilze, cuide bem da lua cheia aí nesse oriente, sopre as nuvens e faça cócegas em sua barriga quando ela estiver com preguiça de aparecer, o coração está pleno; Linaldo, nossa sina (que bom) é fazer canções para embalar, aí outros fazem também e o mundo fica mais bonito, as cortinas são dissipadas e a lua pode reinar em nossa fronte. Ser geminiano reforça mais o nosso olhar lunático; Loba (Tuzinha), toda espalhada, uivava de um lado pro outro, e eu com medo da mordida, besteira, nem doeu, estamos nós, agora, uivando juntos com ou sem lua no horizonte, prova que a amizade pode romper barreiras e saltar espaços para unir seres adoradores de poemas e luas; Dantas, depois de tanto tempo é que ficamos do mesmo lado da lua, unidos pela poesia. Prova de que sem poesia o mundo esfria as pessoas e lança-as no abismo da indiferença. Amigo é coisa pra se cuidar, embalando em versos, nas horas em que não há luar;  Sandra (inha), esse bolo de sonho é o único que não dá azia. E como estás no caminho, vestida de fantasia, pintada de lirismo, cheia de poemas borbotando de todos os lados, vamos caminhar para Terra do Sempre, repartir o Pão e a Poesia; Li, Lu, Bia, saudades da faceirice de Lu, do bafinho de Bia, espiando meu sono e do cafezinho de Li, que nunca ficava quente, e da vila onde eu espirrava e dançava balé para expulsar os demônios da testosterona (longe de casa) e da Dayse e André (mãinha); Ventura, músico da banda de lata, que som-sonha com a libertação do povo de Cajá dos domínios dos cabeças de boi, parceiro do cabeça e guardador de lua nas horas cheias; Rafaela, boneca do luar do sertão, que vai empinando estrelas e afagando noites com o seu coraçãozinho de moleca poeta; Valéria poética, a menina que faz borbulhar as imagens e brotar poemas como fogos de artifício. Essa luz que emanas vai substituir o luar, quando estiver só e São Jorge estiver navegando pra outras bandas; Ivo, o menino que encontrou (se) menino de novo. Sua amizade é como a lua cheia, não dá para não cuidar que ela fique sempre às vistas; Chandra, bensparati, de gemini para gemini. Lembro o primeiro goró que tomei e vi a poesia rodando, trocando as coisas de lugar, como a lua torta, que à tua porta, estás a conc(s)ertar; Márcia, como a brisa da maré e da chuva, vens umedecer minha rua ressecada para afastar a poeira e dissipar a visão das fábulas enluaradas de mar e sertão; Alex, que também tem um coração que coça pela poesia e sorri de alegria no seu dia de ser mais amigo; Rafaella, profetisa, recebi tuas emanações e aconteceu o inesperado, dia bom demais. Serás agora minha orácula de consulta poética para os dias de solidão e céu sem lua; Lia, sinto o cheiro do pão de queijo e do vinho sobre a mesa, leio um poema e recebo o sopro da brisa dos teus lábios, fico tonto, acordo e tu estás sorrindo banhando-me de poesia; Carolina, menina de Loar, cheia de beleza, ancestral do meu desejo de sonhar, viste poesia onde havia coragem, tiveste coragem de ser poesia, quando o sol surgiu entre cravos vermelhos de Lisboa. És a harmonia do lírios e das charnecas em flor(bela); Lou, quase fiquei sufocado, mas quando respirei ouvi um beija-flor que veio me acordar com um poema e uma canção. Estavas neles; Julênio, lembras de Águas Belas? Lembras do baião de dois da Dona Irismar (minha mãe)? Lembras daquele dia, quando tivemos que tomar leite quente com aveia para não morrer de amor, tu pela Eliane, eu pela Rosangela? Eu sou o mesmo, continuo apaixonado pelos meus amigos gratos e ingratos. Eu não vou mudar nunca, eu não vou ceder à amnésia da preguiça nem ao esquecimento do sem tempo. Lembras do ditado: longe é um lugar que não existe. Vocês vão estar sempre pertinho, no meu coração.

Obrigado, obrigado aos anjos, querubins e duendes que guiam todos vocês! Obrigado por me manterem assim. Serei poeta para todo o sempre. Juro-me.

 

Carlos Gildemar Pontes

"Desert moon light" Copyright © 2004 by Saeed Al Shamsi



Escrito por Gildemar Pontes às 09h01
[   ] [ envie esta mensagem ]




3 DE JUNHO, DIA DE FELICIDADE

 

Hoje é um dia muito especial para mim, dia de soprar velinhas. Fico sempre esperando esse dia, e lembro da infância, quando minha mãe preparava uma festinha e eu recebia presentes, simples, a maioria deles, mas sinceros, e eu conheci cedo o sentido da palavra felicidade. Todos os brinquedos, os bolos, guaranás, docinhos eram mais que presentes, eram a própria alegria que fazia meus olhos brilharem e meu coração coçar de tanta felicidade. Muitas vezes senti o coração arder, doer, sufocar, mas no dia do meu aniversário o meu coração só sabia sorrir, por isso coçava e fazia cócegas. Queria que todos os meus amigos estivessem ao meu lado, para eu dar um aperto bem grande num abraço e um beijo daqueles que só mãe ou pai sabem dar aos filhos. Sei dar desses beijos porque sou pai de duas belas filhas (Deus foi generoso comigo) e porque minha mãe, soube me ensinar o sentido do sorriso e da alegria, essa herança é minha energia, minha ideologia, solidariedade.

Hoje acredito em Céu, em Papai Noel, em duende... amanhã continuarei acreditando em muitas dessas coisas, mas hoje eu sou rei e rei é rei, amanhã volto a ser homem comum. Minha sorte é ter amigos para lembrar que são partes da minha vida e não posso me separar deles, pois não posso me separar de mim. E é para os amigos, incluindo todos os meus familiares, que eu dedico este dia. Parabéns para vocês todos! Eu amo o amor possível e o amor impossível. Não serei covarde nem perderei de vista a possibilidade de ser poeta nunca, mesmo rodeado de estupidez e burocracia. Estou feliz e gostaria de ofertar um poema de Drummond, cantado sublimemente por Milton Nascimento.

 

Canção

(Carlos Drummond de Andrade)

 

Eu preparo uma canção

Em que minha mãe se reconheça

Todas as mães se reconheçam

E que falem como dois olhos

 

Caminho por uma rua

Que vai dar em muitos países

Se não me vêem eu vejo

E saúdo velhos amigos

 

Eu distribuo um segredo

Como quem ama ou sorri

Do jeito mais natural

Dois carinhos se procuram

 

Minha vida nossas vidas

Formam um só diamante

Aprendi novas palavras

E tornei outras mais belas

 

Eu preparo uma canção

Que faça acordar os homens

E adormecer as crianças.

 

Carlos Gildemar Pontes



Escrito por Gildemar Pontes às 06h43
[   ] [ envie esta mensagem ]




SERTÕES

 

Na foice amolo o verso;

No verso floresce a noite

E o hálito da flor

No talo do mandacaru

 

O povo diz sua prece

E a lua coalha o céu,

Imensa espaçonave brejeira.

O meu sertão é feito

De lua, prece, espinho e fulô.

 

Carlos Gildemar Pontes

 

Autor: MARCELO PALMEIRA

 

 



Escrito por Gildemar Pontes às 11h52
[   ] [ envie esta mensagem ]


[ ver mensagens anteriores ]


 
Meu perfil
BRASIL, Nordeste, FORTALEZA, Homem, de 46 a 55 anos, Portuguese, French, Livros, Esportes, Karate
Histórico
  Ver mensagens anteriores

Outros sites
  Revista Agulha
  Leontino Filho
  Arte Jovem
  Meu outro Blog
  Chico Buarque
  Sônia van Dijck
  SS Tânia Mulher
  Fortaleza Esporte Clube
  Adriana Zapparoli
  Touché
  Mario Cezar
  Linaldo Guedes
  Valéria Poética
  Louise Tommasi
  Loba
  Maísa Pupila
  Maria Borges
  Dora Vilvela
  Queima Bucha
  Carolina de Loar
  Usina das Palavras
  Ivinho
  Márcia Maia
  Garganta da Serpente
  Cadeira de Balanço
  Dira
  Rafaella Souza
  Rafaela Dantas
  Maria Odila
  Alcilene
  Zany
  Assis Dantas
  Alex