Pão & Poesia na Terra do Sempre


POEMA DO OUTRO MENDIGO

 

Já viste os olhos da amada

Como brilham?

São cristais de gelo.

Já puseste as mãos nos seus cabelos?

São cabelos que deslizam em ventanias

Escorrem pelo corpo, nevoeiro no cais.

Tocaste acaso aqueles seios,

Comeste aos poucos seus mamilos,

Engolindo devagar até a tua morte muda?

Sentiste o frio que não fosse o da sarjeta?

O frio antes da morte!

O frio de quem ama também é assim

Parece o frio da fome.

E a amada nua, amigo,

Parece absurdo, mas minha fome

É maior que a tua.

Eu nunca me sacio,

Nunca me farto.

E o meu suor junto ao dela,

Somos um mar de algas e delírios evanescentes,

Morremos em espuma.

E quando estiveres numa cova qualquer da avenida

A mercê da hora fatal,

Eu chorarei por ti.

Porque no fundo somos iguais.

 

Carlos Gildemar Pontes

 

A partir de hoje entro de férias.



Escrito por Gildemar Pontes às 07h40
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POEMA INTERROGATÓRIO OU PERIPÉCIAS DE UM PERIPATETA

Para a panelada de Severino e seus vampiros,  Jéferson e seus correioligionários, Dirceu, Genoíno e seus mensalistas

 

responda se for capaz:

quantos entãos ficaram de completar

as histórias incompletas?

sabe não? onde está a ação?

          

viu no noticiário

riu no anedotário

pesou no judiciário

quem celebrou o conto do vigário?

com quantas luas se faz um céu de contos de fadas?

com quantas fadas se faz uma historinha comum?

quantas historinhas fazem um boi dormir?

quantos bois um cidadão come na vida?

com quantos cidadãos se faz uma nação?

onde está a ação?

 

quantas estrelas a gente-menino contou?

estrelas de prata, de ouro, de nocaute

como a gente consegue desenhar nas nuvens

os bichos da nossa imaginação?

 

Sabe não?

 

com quantos sonetos se faz uma coroa?

com quantas coroas se faz uma broa?

com quantas broas se faz um manjar?

com quantos manjares se faz um poema?

brinquei de brincar

brinco mais não

pé de xiquexique

pede mensalão

um, dois, três...

quatro, cinco, mil

eu quero uma mesada

pra fazer poesia 

 

onde está a ação?

 

Carlos Gildemar Pontes



Escrito por Gildemar Pontes às 13h09
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