O POETA E A REPÚBLICA
Hoje quase concordo com o sábio Platão que expulsou o poeta da República. No começo, estrebuchei, fiz careta, ranzi pra lá e pra cá, até tentei me vingar me tornando aristotélico, tagarelando aristotelices. Mas quando vejo esta república de bananas entregue a vendilhões, mando Platão plantar batatas e invoco Neruda, Vinicius, Garcia Lorca, Agostinho Neto e tantos outros poetas que lutaram para construção de um mundo fraterno, terno e eterno, onde as pessoas fossem tratadas como iguais e não houvesse qualquer forma de opressão. Quanto à República de Platão... o poeta não precisa dela, além do mais, ela está pra lá de Bagdá. E existem lugares mais amenos para o poeta pasargadar.
EU SÓ QUERO UMA CHANCE
Se tu pudesses criar o teu mundo
Com as tintas e as cores do teu gosto,
Se tu pudesses escolher entre sorrir e chorar
E escolhesses sorrir,
Se tu pudesses caminhar e chegar
E partisses,
Se tu pudesses tecer um poema feito
De amor e suor, que fosse a expressão da tua dor
E do teu pranto, que tivesse o teu cheiro
E o teu sentimento mais puro,
Tu terias algum medo de ser feliz?
Se tivessem dado uma chance a Jesus
A Gandhi, a Che, Teresa,
Tu carregarias esta culpa,
A humanidade seria a mesma?
Dá-me uma chance pra eu te fazer feliz.
Eu só te prometo um luar a cada dia,
Só te darei o sol dos meus olhos
E o fogo do meu coração.
Eu só preciso disto para viver
Eu só preciso de ti
Preciso desse amor
preciso
preciso
...
Carlos Gildemar Pontes
Escrito por Gildemar Pontes às 09h09
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