Pão & Poesia na Terra do Sempre


PEQUENOS TIGRES FAMINTOS

 

Ver nos teus olhos a maciez calma dos lagos

no teu corpo o barro do meu corpo

e no teu caminho as flores de agosto

 

as flores de agosto quase nasceram na primavera

mas são flores de inverno

quando os rios ficam cheios de meninos

com seus saltos mirabolantes

 

preciso preencher a solidão das tuas tardes

quando ficas imóvel

e uma flauta anuncia a canção de um niño triste

o condor passa sobre os Andes

e sobre o sangue latinoamericano

 

vê, os heróis não morreram como quer a história

não reclamam flores de primavera

eles estão em cada camponês

e em cada mendigo destas cidades sem Deus

 

preciso ouvir Orpheu

inaugurando o madrigal das manhãs 

 

o Atlântico e o Pacífico cantam

nas costas do meu povo

afagando a pele dos náufragos

 

eu também sou náufrago em teus olhos

no teu corpo que reincendeia

as cinzas do meu amor

 

teus olhos me encandeiam de tal forma

que renasço antes de me tocarem

lindos, taciturnos, (im)puros, e ingênuos

como pequenos tigres famintos

 

Carlos Gildemar Pontes



Escrito por Gildemar Pontes às 13h29
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SAUDADE

 

há uma nódoa de saudade

em minha alma

quadros desbotados na sala do ser

rosas esquálidas

como portões que não abrem

retalhos de nós

em cada canto desta ilusão

meço a distância, miro a ponte

e vou pela rua

assobiando um samba qualquer

 

Carlos Gildemar Pontes

Luís Lobo Henriques

 

 

(O resultado do Concurso Nacional de Conto e Poesia se encontra um pouco mais abaixo)



Escrito por Gildemar Pontes às 17h09
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QUARTO MINGUANTE

Imagem retirada do Diário do Nordeste

 

A lua escorre

do céu e aqui no papel

um verso se bole

 

Carlos Gildemar Pontes



Escrito por Gildemar Pontes às 17h38
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A Revista Acauã, publica o resultado final do II Concurso Nacional de Conto e Poesia Acauã e parabeniza os vencedores. Pela expressiva participação de escritores de todo o Brasil, o Concurso Acauã foi um sucesso. Agradecemos ao Sebo Universitário de João Pessoa, ao CCHLA-UFPB e à ADUFPB, pelo apoio.

Resultado Final de Conto:

 

1º lugar – Francisco Sales Cartaxo Rolim – Recife – PE

                 Conto “Escanchado feito um porco”

2º lugar – Jardel Estevão Barbosa Silva – Campinas - SP

                 Conto “A lembrança”

3º lugar – Aécio Amaral Júnior – João Pessoa – PB

                 Conto “Liberdade”

4º lugar – Euza Noronha – Lavras  – MG

                 Conto “Interlúdio”

5º lugar – Roque Aloísio Weschenfelder – Santa Rosa - RS

                 Conto “O dinheiro acabou”

6º lugar – Débora Laís Ferreira dos Santos – João Pessoa – PB

                 Conto “Mulher feia”

7º lugar – Natalia Emery Trindade – São Paulo – SP

                 Conto “A cachoeira”

8º lugar – José de Sousa Xavier – Natal – RN

                 Conto “Vingança azul”

9º lugar – Euza Noronha – Lavras – MG

                 Conto “O livro dos sonhos”

10º lugar – Rubens Jaeger Bertolin – Porto Alegre – RS

                  Conto “O caçador”

 

Comissão Julgadora de Conto:

Clauder Arcanjo(RN) – Escritor e Co-editor da Revista Papangu

Elizabeth Dias Martins(CE) – Ensaísta e Profª. da UFC

Adalberto dos Santos(PB) – Escritor e Professor

 



Escrito por Gildemar Pontes às 22h47
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                             Resultado Final de Poesia:

 

1º lugar – Cláudia Rejane Pinheiro Granjeiro – Crato – CE

                 Poema “Noturna”

2º lugar – Maria Luiza Gama e Silva Foz Gregório – Aracaju – SE

                 Poema “Fogo fátuo”

3º lugar – Mario Vivas de Souza Barreto – Aracaju – SE

                 Poema “A tempo e martelo”

4º lugar – José de Souza Xavier – Natal – RN

                 Poema “A ilusão do átomo”

5º lugar – Clayton Rêgo Costa – José da Penha – RN

                 Poema “Soneto de reconhecimento”

6º lugar – Josué Ebenézer de Sousa Soares – Nova Friburgo – RJ

                 Poema “Lágrimas”

7º lugar – Fernanda Megliore Rodrigues – São Paulo – SP

                 Poema “Súplica do tempo”

8º lugar – Clayton Rêgo Costa – José da Penha – RN

                 Poema “Ilogismo”

9º lugar – Ângela Cardoso – João Pessoa – PB

                  Poema “O gemido e o riso”

10º lugar – José Di Lourenzo Serpa – João Pessoa – PB

                  Poema “Sem lado”

 

Comissão julgadora de Poesia:

Roberto Pontes(CE) – Poeta, Ensaísta e Prof. Literatura da UFC

Anchieta Pinheiro Pinto(CE) – Ensaísta e Prof. Literatura da UECE

R. Leontino Filho(RN) – Poeta, Ensaísta e Prof. Literatura da UERN



Escrito por Gildemar Pontes às 22h45
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OUVINDO RAVEL

Este texto é para ti, que escutou o meu chamado.

 

De repente Ravel ecoa pela sala. Tomo um susto do quanto Pavane pour une infante défunte me toca. Vou às lágrimas depois de aportar há 18 anos, num lugar feliz do meu passado. Eu estava começando a sentir as dores da felicidade, aquelas que nos aquietam num canto ao som de alguma música que fala direto ao coração. Parece que é nesse momento que mudamos de fase. Amadurecemos e temos saudade da tristeza que passou, da alegria que nos contamina e nos faz ser leves dançarinos do sonho. Foi um tempo que me mostrou a delicadeza e o amor como urgência da alma. Soube aproveitá-lo e guardar os melhores fluidos. Soube errar quando aprendia e preparei meus cabelos grisalhos para o futuro. Tomei doses generosas de euforia e caí de porre de fantasia. Tive uma caminhada solidária com a minha alma solitária. Minha mãe havia fugido para o reino do sempre. E eu colecionava minhas sobras com o peito de um guerreiro no meio de uma travessia. Senti o gosto da lágrima mais doce e da mais amarga. Temperei o espírito para ser homem de fé no amor e na bondade que ele desencadeia. Sofri pela opção que fiz de enfrentar as sombras e as montanhas que se fechavam em egoísmo e inveja. Trago cicatrizes dessas batalhas. Pelo rosto, pelos cabelos, pelo corpo cansado de desencantos. Às vezes pensei em desistir no meio do caminho, mas aí teria que voltar e eu não sabia refazer o meu mapa. Teria mesmo de seguir e enfrentar os obstáculos e trocar a pele como réptil no deserto. Mas teria de enxergar as miragens que construísse, pois seriam minha salvação do nada. Alguma sorte me sorriu e eu retribui com a alegria que esconde a tristeza dos guerreiros. Soube acatar as ordens do coração e negar as imposições da opressão e do medo. Descobri segredos e armadilhas. Pulei distâncias e rompi os nervos da estagnação dos néscios. Ataquei a intransigência e recebi a peçonha da vingança. Guardei, porém, o canto e as cores de muitas nuvens, as rosas de muitas auras, os cheiros de muitos bosques. Fiz e refiz planos, desfiz desenganos e preparei algazarra para solidão. Confirmei no meu coração a força capaz de me guiar para além de qualquer ilusão. Pavane pour une infante défunte é muito triste. Mas eu estou feliz porque tenho a certeza do amor no meu coração.

  

Carlos Gildemar Pontes



Escrito por Gildemar Pontes às 19h39
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