Pão & Poesia na Terra do Sempre


CALAFRIO CÍVICO

               

                    I

Ama com febre e com engulho

a favela em que nasceste

criança, não verás pai nem mãe

que país é este?

 

                   II

‘stamos em pleno bar

bêbados e inertes

enquanto isso nossa febre

civicamente se inverte.

 

                 III

em nada, ao meu amor serei disperso

ora rireis ao ver stela

está mais gorda e eu vos direi, no entanto...

 

                 IV

e assim quando mais tarde me procure

quem sabe a polícia, angústia do Carandiru,

quem sabe o dono do bar, cobrando os uísques

 

eu possa te dizer que nada tenho a ver com isso

que é uma tal de metalinguagem, dizem os críticos, mas

que é melhor do que os parnasianos, não tenho dúvidas

 

Carlos Gildemar Pontes



Escrito por Gildemar Pontes às 18h12
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O POETA, A MENINA E A FLOR

 

Um sorriso cabe num poema

flor de cactus

                    adornando o espinho

                    no meio do deserto

 

um seio, uma boca

o poeta em desejos

                    morde seus beijos

 

dálias

crisântemos

e papoulas

                despetalam-se nas madrugadas

a flor é um poema

entre as pernas da menina

sangue

          suga

                sugando

                            a língua do poeta

água viva em seus lábios

o poeta navega-naufraga em silêncios

fogem-se-lhes os sentidos

a menina e o poeta se inflamam

restam cinzas no poema

 

Carlos Gildemar Pontes

 

Copyright © 2005 by Bill Henry



Escrito por Gildemar Pontes às 08h52
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ENQUANTO ISSO... NA TERRA BRASILIS...

NÃO ACREDITO,

O Brasil caiu três posições na lista da corrupção, divulgada pela Transparência Internacional, tendo recuado do 59° lugar, que ocupava em 2004 — com nota de 3,9 numa graduação de zero a 10 (quanto maior o índice, menor a corrupção) —, para o 62° lugar com 3,7 pontos. Foi o pior desempenho obtido em três anos. Islândia, Finlândia, Nova Zelândia lideram, nesta ordem, a relação das nações com menores índices de corruptos e corruptores. (O GOVERNO É DO PT)

NÃO ACREDITO, SECA NA AMAZÔNIA. E O GOVERNO AUTORIZOU UMA REDUÇÃO DE 50% DA FLORESTA AMAZÔNICA PARA FINS DE PECUÁRIA E AGRICULTURA;

Enquanto isso:
Alta de combustíveis faz IPCA-15 triplicar para 0,56%

FEBRE AFTOSA
Aumenta para 15 número de focos no MS e PR

NÃO ACREDITO, FEBRE AFTOSA SE ALASTRANDO E O GOVERNO TENTANDO SALVAR MENSALEIROS;

NÃO ACREDITO: MEDIDA PROVISÓRIA
Militares terão abono de 13% sobre a média salarial
ENQUANTO ISSO: O GOVERNO OFERECE REAJUSTE DE 0,01% AOS SERVIDORES PÚBLICOS FEDERAIS

DEPOIS DISTO, O POVO BRASILEIRO RESPONDE:

 

PESQUISA
Datafolha e Ibope apontam vitória do “Não”

As novas pesquisas realizadas pelo Datafolha e Ibopa apontam a vitória do “Não” no referendo sobre a proibição do comércio de armas de fogo e munição que acontece amanhã.
De acordo com o Datafolha, o “Não” à proibição tem 57% das intenções de voto, enquanto o “Sim” conta com 43%. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

(Fonte Diário do Nordeste, 22/10/05)

Escrito por Gildemar Pontes às 15h12
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O BRASIL, A MISÉRIA E O MEU VOTO (PARTE DOIS)

 

 

A paz, o cuidar de si e dos outros, o amar o planeta, dependem muito do grau de civilidade que nós temos. Um país que vive fabricando estatísticas deveria olhar para as péssimas escolas com professores mal pagos, uma educação abaixo de quase todos os países da América do Sul; Uma saúde caótica e que deixa morrer à míngua dezenas de pessoas todos os dias nas filas de hospitais; ser perversamente o país que pior distribui a renda no mundo; ter uma das mais altas taxas de juros do mundo; ser incapaz de resolver a violência urbana nas grandes cidades; esse é o país que optou por gerar superávit para pagar juros da dívida externa; que não cuidou da vigilância sanitária e permite a disseminação de febre aftosa numa mina de ouro, que é a nossa carne exportada, para orgulho dos nossos ricos e fome dos nossos pobres; que permite, por incompetência e incapacidade de gerir a vigilância nas fronteiras, que armas e drogas entrem e ouro, pedras preciosas e animais silvestres (grande parte em processo de extinção) saiam às carradas como água pelo ralo.

Querem culpar a posse de armas pela violência no trânsito, nas escolas e entre bêbados e desajustados psicossociais, como se falta de educação, problemas de saúde pública e ausência de campanhas educativas maciças por parte dos governos para minimizar a violência (que é um fenômeno mundial decorrente da miséria resultante do neoliberalismo, apelido light do Capitalismo Selvagem), pudesse ser resolvido com a subtração de armas que estão em poder do cidadão de bem.  

Quando o homem amolou uma pedra para retirar as víceras do animal que iria comer, não estava previsto que ele iria matar o próximo. Quando o governo permite o uso indiscriminado do álcool e do tabaco, que juntos vitimam mais do que o dobro do número de vítimas por mortes com armas de fogo no Brasil, gasta milhões em tratamento que não terá nenhum tipo de retorno. E lembrem-se que a Souza Cruz já quis pagar a dívida externa do Brasil em troco de dez anos sem pagar impostos. Mas o país que sangra o cidadão com uma das maiores taxas impostos do mundo não aceitou. Impostos em países civilizados são revertidos para o bem estar social, e aqui?

Lamento informar aos menos avisados que as grandes cidades hoje têm três quarto da sua população morando entre favelas, palafitas e casas do sistema financeiro de habitação, os famosos conjuntos residenciais. Lamento dizer que o cinturão de favelas que cercam as grandes cidades estão inflando e que os seus ocupantes, cada vez mais miseráveis, explodirão daqui a 10 ou no máximo 15 anos, como formigas ouriçadas numa verdadeira batalha por sobrevivência. E muros altos com cercas elétricas, segurança privada ou estatal não serão suficientes para barrar a horda em estado de barbárie que se anuncia, caso o governo não cuide das causas de todos os males já citados anteriormente. Não faço apologia do caos, mas não fui eu que previ que dois terços da humanidade são inviáveis e que as guerras serão apenas um dos modos de controlar o crescimento da população. E as maiores vítimas da guerra são civis desprotegidos. Se os civis iraquianos não estivessem oferecendo resistência aos invasores americanos e seus patéticos aliados, o povo do Iraque estaria sendo tangido como animais para o ferro quente, para serem marcados como povo inferior.

Há cerca de dez anos, foi descoberto um plano para invasão da Amazônia em busca do nióbio, que tem a maior reserva mundial no Brasil. Com inúmeras denúncias e reportagens feitas pelas TV e Revista Manchete foi feita excelente matéria pelo jornalista Carlos Chagas. Não houvesse essa denúncia, já poderíamos estar submissos ao poderio bélico americano. E o governo, o Congresso e os grandes meios de comunicação nada falaram. A campanha do desarmamento serviu para desarmar o homem de bem. O engraçado é que a maioria das armas recolhidas eram espingardas de caça e revólveres sem uso em troca de dinheiro. Fora a recompensa em dinheiro não houve nada de educativo na campanha. Agora a proibição da comercialização de armas e munição é uma farsa para esconder a incompetência em coibir a violência paralela do crime organizado que tem suas raízes na polícia e em segmentos do governo, do legislativo e do judiciário.

Não venham me dizer que os programas salvacionistas que sejam vão livrar menores infratores das verdadeiras escolas do crime que são as FEBEMs. Não venham me dizer que crianças de rua em busca de trocados por alimentos serão reintegrados à sociedade com programas que distribuem migalhas às famílias para que mantenham filhos famintos e sem formação moral ou ética domiciliar em escolas falidas. Sabem qual a perspectiva de futuro dessas crianças? Pequenos delitos até os crimes mais horrendos. O amor não estará presente em seus corações, mas um ódio profundo pela sociedade hipócrita que dá esmolas em troca do adestramento eleitoral.

E quem vai colocar coleiras no pit-boys que espancam e matam inocentes? E quem vai puxar o freio de mão dos playboyzinhos que matam inocentes em pegas? E quem vai fazer circuncisão nos gringos e nos aproveitadores de menores prostituídas? Quem é que vai pagar por isso?

 

Carlos Gildemar Pontes



Escrito por Gildemar Pontes às 01h53
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