AOS QUE AMAM
Os amantes merecem o céu porque amam. Deles são extraídas as verdades que construíram a história de tantos homens e mulheres, sob a bandeira do amor e da paixão. Pelo amor já se fez guerra, já se matou, já se morreu, porque o amor está acima da vida e da morte. Só quem ama pode libertar-se das trevas do medo. Só quem ama pode construir outros caminhos. Só quem ama pode abrir as gaiolas, sem medo de perder o canto dos passarinhos. Só quem ama pode conversar com Deus, baixinho, e dar-lhe conselhos para melhorar a humanidade. Só quem ama traz no peito estampado uma bandeira para todas as lutas. Só quem ama pode desafiar a loucura e a sanidade e rir delas porque o amor é tão louco quanto são. Só quem ama pode tirar as coisas do lugar e virar o mundo de cabeça para baixo, pela felicidade. Só quem ama pode entender o outro como ele queria que fosse entendido o seu querer. Só quem ama perdoa mil vezes o erro que não se cometeu. Só quem ama pode dar a mão depois de ser esquecido num canto, sem calor, sem voz, sem lenço que contenha o pranto, com uma dor terrível mastigando o coração. E dar a mão para quem ama é dar-se o presente que se pretende. Os amantes são cativados com pequenas coisas, simples gestos, mas que são capazes de durar uma eternidade. A eternidade para os amantes é um momento de magia que ocorre toda vez que eles, aos braços um do outro, vivem como se fosse o último momento. Só os que amam sabem deitar na areia, perto do mar, para ouvir a voz dos peixes. Só os que amam têm nos olhos a poesia que nasce do coração. Só os que amam ofertam poemas como se fossem pedaços de si mesmo. Só os que amam têm uma usina de sonhos e uma indústria de tijolos de carinho para construir a casa do seu amor.
Carlos Gildemar Pontes
Escrito por Gildemar Pontes às 19h18
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